ENTRETENIMENTO

Biografia de João Ubaldo Ribeiro



Vida
João Ubaldo Osório Pimentel Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, Bahia, em 23 de janeiro de 1941. Ao completar dois meses de idade, o escritor e acadêmico mudou-se com a família para Aracaju, no Sergipe, onde passou a infância. Morou ainda em Salvador e Rio de Janeiro, além de Estados Unidos e Portugal.

Seu primeiro casamento aconteceu em 1960 com Maria Beatriz Moreira Caldas, sua colega na Faculdade de Direito. Separaram-se após nove anos de vida conjugal.

Em 1969 casou-se com a historiadora Mônica Maria Roters, que lhe daria duas filhas: Emília (nascida em fevereiro de 1970) e Manuela (cujo nascimento ocorreria em junho de 1972). O casamento acabou em 1978.

O ano de 1980 marcou seu terceiro casamento, com a fisioterapeuta Berenice Batella, que lhe daria dois filhos: Bento e Francisca (nascidos em junho de 1981 e setembro de 1983, respectivamente). Bento seguiu a carreira artística e trabalhou durante anos na MTV, ao lado de Dani Calabresa.

Carreira e Obra
Sua estreia no jornalismo, como repórter no “Jornal da Bahia”, foi em 1957, sendo que posteriormente se transferiu para “A Tribuna da Bahia”, onde chegou a exercer o posto de editor-chefe.

Em 1958 iniciou um curso de Direito na Universidade Federal da Bahia. Com Glauber Rocha editou revistas e jornais culturais e participou do movimento estudantil. Apesar de nunca ter exercido a profissão de advogado, foi aluno exemplar.

Com 'Josefina', 'Decalião' e 'O Campeão' participou da coletânea de contos “Reunião”, editada pela Universidade Federal da Bahia em 1961.

Em 1963 escreveu seu primeiro romance, 'Setembro Não Faz Sentido', título que substituiu o original (“A Semana da Pátria”), por sugestão da editora.

Dois anos depois começou a lecionar Ciências Políticas na Universidade Federal da Bahia. Ali permaneceu por seis anos, mas desistiu da carreira acadêmica e retornou ao jornalismo.

Com o prefácio de Glauber Rocha, que se empenhou junto a José Álvaro Editores pela sua publicação, João Ubaldo tem seu primeiro romance, 'Setembro Não Faz Sentido', impresso, com o apadrinhamento de Jorge Amado.

Em 1971 lançou, pela Editora Civilização Brasileira, o romance 'Sargento Getúlio', merecedor do Prêmio Jabuti concedido pela Câmara Brasileira do Livro, em 1972, na categoria Revelação de Autor. O livro é inspirado principalmente num episódio ocorrido na infância de João Ubaldo, envolvendo um certo sargento Cavalcanti, que recebera 17 tiros num atentado em Paulo Afonso, na Bahia; resgatado pelo pai do autor, então chefe da polícia de Sergipe, chegaria com vida em Aracaju. Segundo a crítica, esse livro filiou seu autor a uma vertente literária que sintetiza o melhor de Graciliano Ramos e o melhor de Guimarães Rosa.

Publicou, em 1974, o livro de contos 'Vencecavalo e o Outro Povo' (cujo título inicial era 'A Guerra dos Pananaguás'), pela Artenova.

Com tradução feita pelo próprio autor, o romance 'Sargento Getúlio' foi lançado nos Estados Unidos em 1978, com boa receptividade pela crítica daquele país.

Em 1979 passou nove meses como professor convidado do International Writting Program da Universidade de Iowa e publicou no Brasil, pela Nova Fronteira, que a partir de então seria sua principal editora, um 'conto militar', na sua definição, intitulado 'Vila Real'.

Mudou-se, com a família, para Lisboa, Portugal, em 1981, graças a uma bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian. Editou, no período em que ali viveu, com o jornalista Tarso de Castro, a revista “Careta”. De volta ao Brasil, passou a residir no Rio de Janeiro, cidade que tanto amou, e lançou 'Política', livro até hoje adotado por inúmeras faculdades. Lançou, também, 'Livro de Histórias' (depois republicado com o título de 'Já Podeis da Pátria Filhos'), coletânea de contos.

Iniciou colaboração com o jornal 'O Globo', publicando uma crônica por semana. Sua produção dessa época seria reunida em 1988 no livro 'Sempre aos Domingos'.

Em 1982 iniciou o romance 'Viva o Povo Brasileiro', que se passou na Ilha de Itaparica e percorreu quatro séculos da história do país. Originalmente o livro se chamava 'Alto Lá, Meu General'. Segundo João, o livro nasceu de um desafio de seus editores e da lembrança de uma afirmativa de seu pai, que dizia: 'Livro que não fica em pé sozinho, não presta.'

Seu livro 'Sargento Getúlio' chegou aos cinemas, num filme dirigido por Hermano Penna e protagonizado por Lima Duarte. O longa-metragem recebeu os seguintes prêmios no Festival de Gramado: Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Som Direto, Melhor Filme, Grande Prêmio da Crítica e Grande Prêmio da Imprensa e do Júri Oficial.

'Viva o Povo Brasileiro' é finalmente editado em 1984, e recebe o Prêmio Jabuti na categoria 'Romance' e o Golfinho de Ouro, do governo do Rio de Janeiro.

João Ubaldo foi estrela do Carnaval também: consagrado na Avenida Marquês de Sapucaí, seu livro 'Viva o Povo Brasileiro' foi escolhido como samba-enredo da escola Império da Tijuca, em 1987.

Em 1991, o romance 'O Sorriso do Lagarto' foi adaptado para o formato de minissérie por Walter Negrão e Geraldo Carneiro na Rede Globo. Os protagonistas foram Tony Ramos, Maitê Proença e José Lewgoy.

No dia 7 de outubro de 1993 foi eleito para a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras, na vaga aberta com a morte do jornalista Carlos Castello Branco.

Terminou, em 1994, a adaptação cinematográfica, feita em parceria com Cacá Diegues e Antônio Calmon, do romance 'Tieta do Agreste', de seu amigo e conterrâneo Jorge Amado. O filme teve a atriz Sonia Braga no papel principal e direção de Cacá Diegues.

Em 2008, o autor foi agraciado com o Prêmio Camões, considerado o maior da língua portuguesa.

Fonte: MSN
Foto: A/D

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